Ved: O que vc aprendeu antes: Java ou Flex?
Mario Junior: Java, mas logo depois foi o Flex.
Foi numa época de grandes mudanças para mim, onde sai do meu querido estado do Mato Grosso do Sul e fui trabalhar em uma grande empresa em Maringá-PR. Eu já tinha desenvolvido um software tributário com PHP/Ajax, e nessa empresa eu tinha que fazer algo semelhante, mas eles usavam Java então tive que aprender bem rápido porque já precisava produzir.
Bom, passado um breve tempo, logo no início de 2007 começamos a pesquisar sobre como melhorarmos a UI de nossas aplicações, que na época fazíamos com o trio-parada-dura (html/javascript/css) e um colega (e hoje grande amigo) Eduardo Danielli (@eduardorebola) comentou sobre uma nova ferramenta: Adobe Flex 2. Vou te confessar que na época achei meio estranho, mas depois de “brincar” acabei gostando da ferramenta =D
Ved: O fato da sintaxe do Actionscript3 ter sido fortemente inspirada no Java foi um facilitador para seu aprendizado do Flex?
Mario Junior: Sem dúvida! Facilitou muito, mas o que facilitou ainda mais foi a experiencia que eu tinha com Visual Basic (linguagem que eu usava antes do PHP, quando ainda desenvolvia apps para desktop). O conceito de eventos baseados nas ações do usuários (click, keyboard, etc) e o trabalho de janelas/popups eram bem parecidos, então eu já conseguia compreender alguns conceitos que normalmente confudem os programadores que entram no “mundo Flex”.
Ved: Você, antes de aprender o Flex, era um programador puro e simples? Ou seja: tinha pouca experiência em design de interfaces?
Mario Junior: Sim. Confesso que minhas apps nunca tiveram um apelo visual bom.
Só depois que conheci o Flex é que comecei a me preocupar com Usabilidades, Visual, Experiencia. Confesso ainda ter muito o que aprender e estou correndo atrás disso.
Ved: Se sim, no que o Flex lhe ajudou a melhorar sua visão de usabilidade e a relação entre o usuário e o sistema?
Mario Junior: User eXperience. O Adobe Flex me “abriu os olhos” em relação a isso. Isso é tão importante (senao mais ainda) do que a tecnologia/framework aplicado em um back-end. Ou seja, não adianta vc ter as melhores ferramentas numa aplicacão onde o usuário não tem prazer em usar, ou ainda, onde o usuário precisa de um manual de 80 páginas para saber como se cadastra uma informação. Se uma app não oferece uma boa experiência para o usuário, ele não vai gostar de usá-la e então você pode perder todo o trabalho que teve, incluindo os maravilhosos frameworks/ferramentas usadas no back-end que o usuário nem sequer sabia que existia =D
Ved: Florianópolis é atualmente um grande polo de empresas de tecnologia no Brasil. Vc consegue dizer o porque? Como enxerga as oportunidades para desenvolvedores Flex na cidade atualmente? Quais as habilidades mais exigidas (visualização de dados, RIAs mais voltadas para multimidia e entretenimento, sistemas tradicionais)
Mario Junior: Florianópolis é vista como o “futuro Vale do Silício da América do Sul”.
Digo “futuro” porque sabemos que o mercado local ainda é bem menor que Sao Paulo / Rio de Janeiro mas a demanda tem crescido. Floripa também é uma grande produtora de games, movimentou mais de 2 milhoes no ultimo ano, e isso também atrai outras empresas de desenvolvimento por causa de gestoes políticas/economicas implantadas na regiao.
Como 90% da cidade fica em uma Ilha (Ilha de Santa de Catarina), é proibida a instalação de grandes industrias com alto índice de poluição por questoes de meio ambiente. Sendo assim, o governo local incentiva a abertura de empresas de TI por meio dos Pólos Tecnológicos.
Nesse 1 ano e meio que moro aqui, percebi que muitas empresas estão usando Adobe Flex. A grande questão é que poucas ainda investem em especialização, levam o Flex como “adicional”. É normal achar vagas de emprego onde “recruta-se programadores Java. Desejável conhecer Adobe Flex”. Oras, se o Adobe Flex é de fato o principal fator de contratação, entao “Flex” não deveria ser “desejável”! Então, ainda não vi nenhuma empresa aqui que contrate desenvolvedores Flex especificamente, mas acredito que isso será uma questão de tempo. Como muitas empresas estão adotando Flex, posso citar que Adobe Flex está sendo usado para várias áreas desde aplicações “tradicionais” a aplicações mais “RIAs” mesmo como mostragem de dados, multimedia, EAD – ensino a distancia, etc.
Despedida:
Seu blog é o primeiro a anunciar (antes até do meu, q está fora do ar): É uma pena que estou de partida da Ilha. Nesse tempo que fiquei aqui também aprendi muito e tive o prazer de conhecer e trabalhar com pessoas altamente competentes no mundo de TI, desde desenvolvedores até mesmo gestores. Agora, estou indo para o Rio de Janeiro, se eu tiver sorte (e coragem) irei assistir um jogo do meu mengo no Maraca. Estou indo para colaborar – e também aprender – muito com o pessoal da DClick, ficando alocado no escritório do RJ.
Um forte abraço a todos, e valeu pela entrevista Ved.