Home > Mercado > Tá na hora de abrir sua própria empresa!
Compartilhar

Tá na hora de abrir sua própria empresa!

February 24th, 2010 Ved

Meu camarada José Carlos Fiel veio me perguntar: “- To pensando em abrir minha empresa. Gostaria de saber de vc o que deve ser evitado e com o que tomar cuidado”.

Bem, como eu sou meio que macaco-véio nesse lance de ter empresa (já tive 3), posso listar aqui o fiz de errado, para seu entretenimento (caso vc não seja esperto) ou para que vc se oriente (caso seja).

Isso não é conselho, nem dica, nem nada disso. São apenas pontos que me fizeram dar boas cabeçadas e que agora, na terceira tentativa, estou procurando evitar.

  1. Sócio(s). Sócio é uma praga. É como um casamento, mas sem o sexo. Na minha primeira empresa éramos em 4 sócios mas ao final de 2 anos éramos apenas dois. Depois da minha saída, o remanescente ficou tocando a empresa e está com ela até hoje. Bem, moral da história: perdi a empresa e também o amigo. Na verdade, quem perdeu foi ele, mas isso é ponto de vista.Depois dessa amarga experiência, prometi a mim mesmo que nunca mais teria outro sócio, mas cheguei à conclusão de que era um mal necessário. Basta vc ter a sabedoria de escolher alguém que lhe completa, ao invés de alguém com quem bate de frente diariamente. Atualmente o meu é o Marcos Junior, também conhecido como Primo ou @marcosgugs. Somos completamente diferentes e no que sou ruim, ele é bom. Só preciso tomar cuidado para que ele não fique bom no que eu sou! hehehe
  2. Financeiro. Eu sou bom em programação, networking e vendas. Mas quando o assunto é gastar com sabedoria, são uma negação. Administrar dinheiro não é comigo. Na minha segunda empresa, que hoje considero que foi “apenas um freelancer com CNPJ“, eu fazia tudo, inclusive pagar impostos, contas e cuidava da papelada. Bem, quando os impostos chegavam pelo correio, eu nem tirava do envelope: jogava num canto para ver depois. Resultado: a dívida cresceu, foi renegociada e estou pagando até hoje, 3 anos depois.Atualmente, temos uma pessoa apenas para cuidar dessa parte. Não é um especialista. Na verdade, está bem longe disso, mas é uma pessoa responsável com dinheiro e extremamente organizada. Ela não tem que se preocupar com vendas nem com planejamento e nem com desenvolvimento: sua função é ficar de olho nas contas e simplesmente pagá-las em dia. No nosso caso, essa função é desempenhada pela minha mãe.
  3. Capital de Giro. O fato de ser prestador de serviço me fez poder abrir uma empresa com um investimento mínimo. Na verdade, apenas um computador e nada mais. Tudo o que os clientes querem é o seu know-how e a capacidade de entregar com qualidade o que foi contratado. Não existe necessidade de estoque e nem de contratação de funcionários (falarei sobre eles adiante). Mas…… é preciso ter um capital de giro, que é a grana que faz a sua empresa permanecer operante mesmo que vc fique sem entrada de dinheiro por algum tempo. Obviamente que se vc ficar 1 ano sem faturamento, não há capital de giro que lhe salve. Para ter uma idéia da quantia necessária, some suas despesas mensais totais e multiplique por 3. Essa grana tem que, religiosamente, sobrar na sua conta mensalmente. Se baixar disso, ligue o sinal de atenção e corra atrás do problema.
  4. Funcionários. Extremamente necessários e devem ser bem cuidados. Eles são o patrimônio mais precioso de minha empresa. Depois de longos anos trabalhando sozinho, em um país onde não se paga o que sua expertise vale, concluí que deve-se ganhar na quantidade. Mas para dar conta da quantidade, é preciso mão de obra… e especializada. É aqui que entram “os meninos”, que é como chamo minha galerinha RIA Labs.
  5. Ambiente de Trabalho. Uma vez que temos funcionários e que eles precisam vir até a empresa diariamente, é nossa obrigação tornar o ambiente agradável e produtivo. Ainda não chegamos ao ponto de ter snacks e bebidas geladas nos corredores, tudo de graça, como em algumas empresas por ai.  Mas dentro de nossas possibilidades, fazemos o que está ao alcance para que nossos funcionários sintam-se motivados a vir para a empresa e que mantenham esta motivação enquanto desempenham sua função. Temos, por exemplo, uma cozinheira (a Dinorá), que com todo carinho cuida de nossa alimentação, fazendo pratos saudáveis e balanceados, além de saborosos. Outro ponto é que aqui ninguém tem horário fixo: cada um vem e trabalha no horário que é mais produtivo, mesmo que seja de madrugada. Salvo em caso de catástrofe, todos os feriados são emendados, pois é preciso ter a cabeça descansada.
  6. Segurança financeira. É o paraíso ter um salário no final do mês e alguns benefícios, que mesmo quem é contratado como PJ, tem. Por isso, ao partir para sua própria empresa, esqueça essa segurança. No começo principalmente, é muito difícil conseguir um fluxo financeiro que lhe dê o mesmo conforto de quando vc era empregado. Mesmo os mais organizados e conservadores passam por isso. Depois que se acostumar com a maré, então encontrará seus próprios meios para colocar as contas em ordem, como eu mesmo fiz mais de uma vez.
  7. Contratos. Se a sua (futura) empresa desenvolve sistemas, então já chegue com os dois pés na porta: contrato de valor fechado para sistemas é roubada! Repita comigo e depois com vc mesmo: contrato de valor fechado para sistemas é roubada! Repita até sonhar com isso.Estamos cansados de saber que um sistema nunca pára de crescer, que nunca é terminado. O bom sistema nunca termina mesmo: se está crescendo, é sinal de que os usuários estão satisfeitos e solicitando adições. O próprio negócio do cliente muda constantemente, o que requer adequações no sistema. Assim, negocie um valor mensal!

    Como preciso manter minha equipe (pois sem ela a empresa não existe) eu não aceito um contrato  que não tenha um valor mensal, que pelo menos dê para cobrir o salário de um funcionário. Depois de muito me sacrificar, trabalhando horas demais semanalmente, para dar conta dos mirrados contratos a preço fixo, adotei esta regra. Ela me é tão importante que caso eu não encontre contratos assim, estou disposto a fechar a empresa e partir para outra coisa.

Bem… que eu me lembre, era apenas isso que eu tinha para dizer.

Convido meu amigo Eberton Consolim a contar sua experiência, pois conversamos bastante quando ele estava largando seu emprego para se aventurar a ser um empresário, coisa que ao que tudo indica, deu certo.

Update: respondendo ao meu convite, o Eberton escreveu um post tratando do mesmo assunto e, de quebra, convidou um peso pesado para fazer o mesmo: o Carlos Eduardo, da E-genial!

Categories: Mercado Tags: