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Empreender na web só depende de sua criatividade

November 22nd, 2009 Ved
Vai encarar?

Vai encarar?

Eu tenho muitos amigos nerds. Agora que o termo já é muito mais abrangente do que aquele cara esquisito, muito à vontade no meio dos computadores e que geralmente não pega mulher, identifiquei a nerdice (sic) em muita gente à minha volta.

Nem todos eles sentem-se à vontade com nosso papo de programação: orientação a objetos, design patterns, user experience, frameworks. Mas, talvez motivados pelo sucesso de alguns e pela quantidade de ofertas de trabalho (não entenda “oferta de emprego”. No nosso meio as coisas são um pouco diferentes…), existem pessoas querendo aprender programação e entrar no mercado para se beneficiar dessa boa fase.

Mas por onde começar? Parece existir tanta coisa a disposição…

Essa semana um bom amigo que também é bom em lidar com computadores (ele foi um dos primeiros a testar o Windows7, por exemplo) mas que nunca escreveu uma linha de programação me perguntou por onde poderia começar a estudar, pois quer entrar no mercado de desenvolvimento de sistemas. Achei bacana pois sempre incentivo as pessoas a entrar para este mundo sempre cheio de novidades e que, de quebra, ainda te dá uma grana.

Assim, baseado única e exclusivamente em minha experiência, vou colocar os pontos que acho que devem conhecidos antes de tomar sua decisão.

  1. É preciso mais do que gostar de computador: é preciso ser apaixonado por eles. Ao entrar para esta vida, passará a viver grande parte do seu dia diante de uma tela, seja trabalhando, estudando, trocando informações com colegas ou pesquisando. Em um grau mais avançado, também twitando e respondendo a quizzes no Facebook. Se vc já atingiu este último nível, é um forte candidato.
  2. Ser um early adopter de tecnologia.  Estar de olho em tudo quanto é novidade e começar a utilizá-las tão logo estejam disponíveis, faz de você um early adopter, ou seja, alguém que além de usar antes da maioria, ainda está disposto a dar pitaco e encher a caixa de entrada de quem desenvolveu o produto, com suas sugestões e críticas.
  3. Ter um ou mais amigos desenvolvedores. De preferência um bom amigo que poderá lhe apadrinhar, acompanhando seu progresso e lhe sugeriindo correções de rumo, caso sejam necessárias. Não tenha vergonha de pedir: a maioria das pessoas gosta de ser solicitada a ajudar. Cuidado apenas para não ser invasivo, solicitando demais.
  4. Usar o Twitter. Seguir bons desenvolvedores no Twitter  é fundamental para se manter atualizado. Geralmente eles passam links, dicas e convidam outros para testar novos produtos.
  5. Decidir qual o seu perfil. Você pretende arrumar um emprego, ser freelancer ou montar uma empresa? Você é melhor com design ou sente-se mais à vontade com a programação? Ter uma resposta clara à estas questões lhe dará uma coisa que é fundamental em qualquer aspecto de sua vida: foco!  Sem foco perde-se tempo, é preciso refazer passos, muitas vezes recomeçar do zero. Eu mesmo perdi muito tempo por passar boa parte de minha vida sem foco.
  6. Aprenda o básico. Básico vem de base e ela é fundamental para que vc cresça como programador. Em minha opinião existem duas bases que precisam ser sólidas em qualquer programador: lógica de programação e orientação a objetos. A primeira lhe dará os fundamentos para começar a programar e a segunda lhe tornará apto a utilizar bem as melhores linguagens de programação do mercado. O começo será chato, com muita teoria, mas sem isso, nem comece. Não é uma opção saber esses dois: é necessidade. Dê atenção a eles antes de sequer escolher com qual linguagem quer trabalhar.
  7. Escolha da tecnologia. Tecnologia para desenvolvimento de software é que nem marca de carro. Tem às dezenas, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Muitas vezes vai de gosto mesmo, mas sempre tem aquelas que estão em evidência e existe um motivo por trás disso. Pergunte aos desenvolvedores o porque de determinada tecnologia estar na boca do povo. Pesquise você mesmo. Tente encontrar projetos desenvolvidos com aquela tecnologia. Caso se interesse, tente encontrar cursos (online ou presenciais), grupos de discussão (Google e Yahoo! Groups são bons pontos de partida) e encontre o próprio site da tecnologia.
  8. Se possível, use atalhos. Por atalhos, neste assunto que estamos tratando, entenda cursos. Faça cursos, invista em sua formação. Procure por cursos online, que podem ser até gratuitos. Mesmo que se considere um super auto-didata, ser treinado por alguém que usa a tecnologia no dia-a-dia e conhece muitos “pulos-do-gato” vai lhe poupar tempo. Em alguns casos, é praticamente impossível, para um novato, iniciar numa tecnologia sem um curso. Eu mesmo já estou no meu quinto curso na e-Genial (http://egenialsas.com.br/site/courses)
  9. Você não precisa ser um bom programador para ganhar dinheiro com desenvolvimento de sistemas. Rá! Pegadinha do malandro? Não! Você precisa saber a tecnologia que pretende oferecer, mas apenas o suficiente para gerenciar a equipe que vai desenvolver o que - como um bom vendedor que  é – você oferecerá. Isso já é um cenário onde vc quer ser um empresário. O fundamental para ter uma empresa é saber vender. Sem isso, nem tente. Depois, claro, saber administrar os recursos, sejam humanos ou financeiros. Mas até para isso vc pode contratar alguém. Conheço um caso de sucesso onde a pessoa que hoje é dona de um software líder de mercado não sabia quase nada de programação, mas sabia administrar e vender. Deu nisso: hoje tá nadando em dinheiro.
  10. Prepare-se para ser um “faz tudo”. De início, caso decida trabalhar como freelancer, você precisará fazer de tudo: prospecção de clientes, propostas, follow-up, contrato, projeto, desenvolvimento, testes e implementação. Tudo isso sozinho. Obviamente que isso limitará a quantidade de projetos que você pode dar conta. Geralmente não mais do que um por vez. E como um iniciante não pode cobrar muito por um trabalho, uma vez que ainda não tem portifólio nem referências, vive-se certo tempo numa situação de penúria, pois a entrada de grana realmente é baixa. Felizmente vc passará tanto tempo estudando e desenvolvendo, que não terá como gastar em supérfluos, como bares, shows, teatro, cinema etc. etc. etc.
  11. Desenvolva projetos fictícios ou opensource. Para um profissional conhecido já é difícil montar um portifólio, pois na maoiria das vezes os sistemas desenvolvidos contém uma grande quantidade de informações confidenciais e que não podem ser mostradas ao grande público. Assim, como você poderá provar que realmente sabe o que está tentando vender? Então vai a sugestão: enquanto estiver aprendendo a tecnologia, ao invés de fazer exercícios soltos, projete e desenvolva um sistema (ou mais do que um até), que será exibido em seu portifólio, quando sentir-se confortável e seguro para oferecer seu serviço de forma profissional. Se o software desenvolvido for relevante e útil para outras pessoas, abra-o como opensource, colocando, por exemplo, no GitHub. O mínimo que pode acontecer é você aumentar sua rede de contatos. Ou aprender a lidar com críticas! =D
  12. Monte um blog.  Conforme vá aprendendo, compartilhe seu conhecimento com o mundo. Ajuda aos demais e ainda lhe faz ficar conhecido, o que é  fundamental para os negócios.
  13. Rede de contatos. [Dica do Elvis Fernandes] Vc precisa ser visto. Quem não é visto, não é lembrado. Manter boas relações é fundamental para fortalecer laços. Pode ser através do seu blog, seja ajudando os outros numa lista de discussão, passando dicas pelo Twitter, lançando um podcast. Escolha o que mais lhe agrada e dedique-se a isso. Eu por exemplo tenho aflição de listas de discussão, sempre com as mesmas perguntas e flame wars, mas adoro meu blog e o Twitter. Graças a estas duas ferramentas, recebo ao menos uma proposta de trabalho por semana, às vezes mais. Isso é também complementado pelo comentário do Beck Novaes, neste mesmo post.
  14. Saiba inglês. Eu fico doente com programador que não sabe pelo menos ler em inglês. A grande maioria das tecnologias que usamos no dia-a-dia foram imaginadas, desenvolvidas e são mantidas fora do Brasil. A melhor documentação está em inglês. Assim, se você é programador (ou tenciona tornar-se um), sinta-se obrigado a saber inglês ou estará fadado a ter que se esforçar muito mais para aprender, pois material traduzido para o português é escasso e, não raro, de má qualidade. Minhas duas principais ferramentas de trabalho atualmente são: meu computador e meu inglês.

Creio que com isso já dê para começar. Como sou desenvolvedor de sistemas para web e acredito que o futuro está no sistema para web, deixarei aqui dicas de três tecnologias para quem pretende começar do zero, já com o pé direito: plataforma Flash (Adobe Flex, Flash Media Interactive Server, Flash Professional), Ruby on Rails, Coldfusion.

Quem trabalha, o faz pela grana. Fato. E atualmente a utilização dessas tecnologias é o caminho mais curto para uma renda que lhe permita viver dignamente. São fáceis de aprender, possuem documentação e comunidades de alto nível e são muito procuradas no mercado, principalmente fora do Brasil (olha a necessidade do inglês aí de novo).

Espero que esse grão de experiência que eu passei no post lhe ajude a começar ou evite que dê com os burros n’água, por ter mostrado que não é tão fácil entrar no mundo da programação.

Vale lembrar que os comentários agora são moderados, pois cansei de ver filho da puta engraçadinho vir aqui e falar merda sem mostrar a cara. Pode falar o que quiser, mas tem que ser homem para se identificar e com isso me permitir replicar.

Agradeço ao Carlos Eduardo (e-Genial) pela revisão do texto e sugestões.

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