Eu venho postando diversas coisas no blog que não os habituais e festejados screencasts. Isso se deve a um periodo de falta de inspiração para essa atividade, que, ao contrário do que muitos imaginam, requer o momento certo, para que saia com qualidade. Talvez por isso que minha única tentativa de fazer screencasts profissionalmente tenha sido um completo fracasso. Felizmente quem encomendou compreendeu isso!
Então, para que o blog não ficasse entregue às moscas, decidi ir postando coisinhas que eu encontro no dia-a-dia.
Esta breve introdução é para que não pensem que eu desisti de fazer meus amados screencasts. Definitivamente esta é uma atividade que me dá muito prazer e não vou parar tão cedo.
O que motivou este post foi um outro, do blog da DClick escrito pelo Beck Novaes que fala sobre bons programadores. Ele prega que é preciso se aprofundar no que se dispõe a aprender e eu estou de acordo 100% com o que ele diz. Particularmente eu admiro os programadores que são feras, que gostam de ser testados e levados ao limite, para quase sempre sairem vitoriosos e com a solução em mãos, encontrada muitas vezes no fundo de um mar de lugares-comuns.
Infelizmente e para meu desespero, a vida cotidiana não tem permitido que eu alcance esse nível de proficiencia em qualquer linguagem. É preciso trabalhar e ganhar a vida. Minha meta é me especializar em Flex, que é minha grande paixão e tecnologia na qual aposto todas as minhas fichas, para o futuro. Acontece que quando acho que cheguei num nivel bacana, encontro uma nova gama de frameworks, posts como o do próprio Beck e muitos outros que mostram facetas do Flex e do AS3 que eu sequer sabia existir e muito menos que para que serviam. Os bons programadores são verdadeiros pesquisadores que merecem ter as portas abertas em qualquer lugar do mundo.
Confesso que por vezes me sinto desanimado.
Isso acontece particularmente quando vejo ofertas de emprego nos boards nacionais ou nas listas de discussão, como por exemplo esta: http://br.groups.yahoo.com/group/flex-brasil/message/17617. Por falta de um exemplo mais gritante, usei este mesmo pois serve ao meu propósito. Onde estão maiores detalhes sobre a vaga? Ao meu ver, o que falta nesta mensagem é:
- Informar a natureza do projeto. Desenvolver é uma questão de aptidão. Muitas pessoas dão-se muito bem com sistemas de dados, outras com sistema para multimidia. É preciso já filtrar no anúncio.
- Informar o que a empresa oferece. Estamos acostumados a anuncios de vagas onde a empresa que está oferecendo exige um grande lista de exigências quanto às habilidades esperadas do candidato mas eu NUNCA vi uma empresa brasileira dizendo detalhadamente o que oferece: faixa salarial da vaga, benefícios mas PRINCIPALMENTE falar sobre o ambiente de trabalho. Essas coisas fazem diferença na hora de captar a atenção de um bom programador. Os profissionais querem sentir a paixão com que a empresa faz as coisas no dia-a-dia.
A impressão que me passa ao ver ofertas de trabalho em nossa área é que as empresas estão fazendo um favor para você. Na verdade, são elas que precisam desesperadamente de um talento, pois sem bons recursos humanos, não se vai muito longe. Eu que o diga!
Alguém sabe me dizer o por quê do Google ser a mega-potência de hoje? Porque é agressiva em suas contratações! Não se contenta com menos do que os melhores do mercado. Os próprios fundadores, Sergey Brin e Larry Page se conheceram quando faziam doutorado em matemática em Stanford! Mas para se ter os melhores é preciso investimento e não é isso que eu tenho visto nas empresas.
Tá certo: existe toda a ladainha sobre as dificuldades em se manter uma empresa no Brasil etc. e tal, mas enquanto não se usar a criatividade para conseguir crescer e quebrar esse paradigma do coronelismo, onde a figura onipotente do dono da empresa pode mandar prender e soltar, enquanto não se abrir os olhos que a empresa é feita pelos seus funcionários e que eles devem estar satisfeitos, desde a contratação, estaremos sempre atrás dos países do chamado primeiro mundo.
Concatenando os temas
Pois bem… as empresas querem os melhores, não estão dispostas a pagar por eles. Anuncios para contratação PJ (na qual se emite nota fiscal, como uma empresa trabalhando para outra) são particularmente ofensivos, pois raramente oferecem um valor/hora que lhe permita pagar pelos benefícios que normalmente se teria numa contratação CLT (a famosa e obsoleta “carteira assinada”). Pois bem: eu aceito ser contratado como PJ, mas no meu valor hora estarão embutidos valores para arcar com: contribuição de autonomo para o INSS, convenio médico de primeira linha, férias remuneradas, 13 salário, participação nos resultados, folgas remuneradas para assuntos pessoais (quem não precisa ir ao médico de vez em quando, não é mesmo???). Bem… so colocarmos na ponta do lápis, talvez R$200,00 a hora sirva para cobrir tudo isso e ainda me permitir comprar no supermercado, pagar meu aluguel, condominio, agua-luz-e-conexão-com-a-internet. Talvez um dia eu ainda pense em comprar um carro e viajar para Buenos Aires….
Quantas empresas, na hora de postar uma vaga de emprego, lembram do quanto de investimeto em tempo e dinheiro os possíveis candidatos precisaram alocar para chega no nível pretendido para a vaga? E a contra-partida disso? Bem, ao meu ver, no mínimo, deveria vir bem explicita no anuncio da vaga de emprego, para que o candidato sinta que, no mínimo, será valorizado e incentivado a dar sempre o seu melhor.
Enquanto isso não mudar, continuaremos a ver dança da cadeira, com bons talentos pulando de empresa em empresa, largando projetos pela metade, em busca de um salário melhor ou, o que poucos admitem, mais respeito com sua condição de profissional interessado em saber sempre mais.
E tenho dito.
Ved